Entre os diversos recursos de comodidade oferecidos atualmente pela indústria automobilista de grande interesse por parte dos condutores está o câmbio automático. Quem o experimenta pela primeira – e em seguidas vezes – reluta a voltar dirigir um veiculo com câmbio manual.
A maior justificativa desse entusiasmo coletivo está no fato de que sua existência elimina um dos maiores obstáculos na dirigibilidade para alguns condutores: não ter que fazer a troca da marcha do veículo manualmente sempre que precisar alternar a velocidade.
Isto quer dizer que o câmbio automático administra por si só a relação câmbio – velocidade, não requerendo a intervenção do condutor para isto.

Mas o que é o câmbio automático?

Inicialmente, é preciso entender a importância e como funciona o sistema de transmissão veicular.
A transmissão é o mesmo que o câmbio de um veículo e permite ao condutor regular a velocidade e o torque (capacidade de força do motor) em relação às condições de locomoção do veículo. Ele serve para que o veículo possa se deslocar em diversas escalas de velocidades.
Atualmente, existem dois tipos básicos de transmissão: a mecânica (manual) e a automática, além de suas variações, de acordo com o uso da caixa de câmbio.
O câmbio automático é um sistema de transmissão com autonomia própria para detectar a relação entre a velocidade e a rotação do motor e decidir pela troca automática da marcha adequada. Nos veículos com câmbio automático, a troca das marchas é feita automaticamente pelo sistema (e não pelo condutor) e de modo quase imperceptível.
Por esta razão, nos veículos equipados com caixa de transmissão automática não existe o pedal de embreagem.
No Brasil, o primeiro câmbio automático chegou com o Cadillac 1941, da norte americana General Motors.
Somente no final da década de 60 é que o Brasil veio a fabricar seu primeiro veículo (o Ford Galaxie) com a transmissão automática.

A comodidade do Automático

As mudanças no padrão de consumo da classe C no Brasil incrementaram a indústria automobilística tanto em números quanto em novos perfis de consumidores, estimulando ao setor a investir fortemente na oferta de veículos cada vez mais modernos, possantes e bem equipados.
Neste cenário – reforçado ainda por melhores condições de financiamento, com juros menores e prazos mais longos, os itens “opcionais” do veículo desejado fazem toda diferença na hora de decidir por um modelo.
Em termos de escolha de sistemas de câmbio, o automático tem sido o mais indicado para quem exige conforto e comodidade, pois não há mudança manual de marcha e tampouco uso de pedal de embreagem.

Como funciona

A transmissão automática funciona hidraulicamente, usando um conversor de torque e um conjunto de diferentes engrenagens planetárias engatadas entre si que permitem a troca de marchas, sem a interrupção da transmissão de potência do motor.
O conjunto de engrenagens planetárias é o responsável por estabelecer todas as relações de transmissão que o câmbio pode produzir.
Por sua vez, o conversor de torque constitui-se de uma bomba (que lança o fluído hidráulico) permanentemente conectada ao motor, o estator (parte fixa, responsável por direcionar o fluxo do fluído) e uma turbina (que recebe o fluído) conectada à caixa de velocidades.

A bomba lança o fluído com uma determinada força e a turbina recebe da bomba grande parte da força mecânica do mesmo, calculada em torno de 90%. Este porcentual pode chegar a 100% se o conversor dispuser de uma “embreagem de conversor” (ou hidromecânico).
De modo sintético, o câmbio automático é constituído pelos seguintes conjuntos de componentes:
• Conjunto de engrenagens planetárias (engrenagem solar, engrenagem planetária e seu suporte, a engrenagem coroa).
• Conjunto de cintas para travar algumas partes do conjunto de engrenagens.
• Conjunto de três embreagens, em banho de óleo para travar outras partes do conjunto de engrenagens.
• Bomba de engrenagem para circular o fluido hidráulico da caixa.
• Sistema hidráulico para controlar as marchas e as cintas.

O esquema do câmbio automático

Outra característica visível do câmbio automático é a aposentadoria do popular “padrão H”, que vinha sendo usado desde 1902, para uma nova disponibilização das velocidades na caixa de marcha.
O câmbio automático apresenta, de modo geral, as seguintes opções:
• P – Park: Para Estacionar. Bloqueia as rodas de tração. Recomendado para dar a partida e desligar o motor do automóvel.
• R – Reverse: Marcha Ré.
• N – Neutral: Ponto Morto. Não bloqueia as rodas de tração. Posição que pode ser usada ao dar a partida e desligar.
• D – Drive: Para movimentar o veículo para frente, usado na maior parte do tempo de direção.
• 4 – 3 – 2 – 1: Posições que permitem o bloqueio das marchas 4, 3, 2 e 1. Alguns câmbios possuem uma numeração menor ou maior.
O bloqueio das marchas é usado em situações extremas, a exemplo de um aclive acentuado, quando o veículo faz diversas trocas de marcha. Dessa forma, bloqueia-se uma posição de marcha específica e não ocorre a troca automática entre elas (ao se colocar na posição 2, impede-se o veículo de automaticamente trocar para a posição 3).
O procedimento usado para o bloqueio das marchas é o mesmo para o freio motor.

A função piloto

O câmbio automático conta com outro revolucionário dispositivo chamando piloto automático (cruise control em inglês ou Tempomat, em alemão)
O dispositivo é um controlador de velocidade (ou piloto automático) e por ele, o condutor pode programar a velocidade a ser desenvolvida, mesmo em caso de condições adversas, eliminando-se a necessidade de usar o pedal do acelerador.
O piloto automático é, em resumo, um servo a vácuo que movimenta o cabo do acelerador, puxando para acelerar ou empurrando, se for preciso reduzir, de maneira que seu único objetivo é.
Em geral, a função piloto segue o mesmo princípio, de são 4 botões, acionados através de três procedimento básicos:
• ON/SET: ligar e programar a velocidade (também funciona como acelerador), desativar o sistema. Só deve ser pressionado depois que o motor for acionado.
• RESUME: retomar à última velocidade programada.
• SPEED+: aumentar a velocidade em 01 km/h a cada vez que o botão é acionado.
• SPEED-: dimunir a velocidade em 01 km/h a cada vez que o botão é acionado.

Vantagens do Câmbio Automático

• O sistema de transmissão automática permite maior economia e durabilidade do motor e de todos os componentes da transmissão (caixa, eixos, diferencial, outros).
• O câmbio automático não requer a mesma frequência de manutenção que os sistemas mecânicos. Dado que seu funcionamento proporciona menor desgaste para as peças da engrenagem, e uma vida útil mais longa.
• Facilidade e conforto para o condutor, por não ter a necessidade de fazer troca de marchas de modo manual, o que requer habilidade e atenção.

Desvantagens do Câmbio Automático

• Um equipamento desse porte ainda representa, no preço final do veículo, um acréscimo de até 5 mil reais, em média.
• A caixa automática é mais pesada e cara, aumenta o consumo e prejudica desempenho.
• A manutenção do sistema de transmissão automática é mais cara e exige mão de obra especializada. Contudo, tem maior durabilidade, costumando fazer-se necessária somente a 200.000km rodados, em média.
• No câmbio automático, a cada 50.000Km rodados, em média, é necessário fazer a troca do fluido de transmissão.
• Qualquer falha ou problema que ocorra no sistema de câmbio automático, o custo de reparo pode chegar até 40% do valor de venda do veiculo.
• Em veículos equipados com câmbio automático, o consumo de combustível é superior ao manual. Câmbios automáticos consomem, em geral, 10% mais do que os câmbios mecânicos.
• Em comparação com os veículos com transmissão mecânica das marchas, o desempenho do câmbio automático é menor.

Dicas sobre possíveis problemas

Tremidos ao mudar de velocidade

O condutor pode vir a sentir que o veículo treme toda vez que ele mudar a velocidade ou pode ainda notar que a caixa fez uma transição para a próxima alteração adversa.
Estes sinais indicam problemas no sistema de transmissão automática e necessita-se de revisão imediata.

Assovios e zumbidos

Cada veículo é construído de forma diferente, de modo que os sons produzidos podem variar muito. Se o condutor é atento e conhece seu veiculo, observará qualquer som estranho e que algo está errado.
Na transmissão automática, é provável ouvir um chiado ou zumbido quando algo está errado.

Alavanca na posição em “D”

Um erro comum provocado pelo condutor sem muita experiência com esse tipo de câmbio é o velho hábito do ponto morto e o vício de carro manual.
Para evitar problemas de lubrificação na caixa, o condutor deve manter a alavanca na posição em “D”, seja em semáforos.

Superaquecimento do sistema

Utilizar excessivamente o freio, principalmente em descidas prolongas, pode provocar o superaquecimento do sistema. Assim afeta a capacidade de frenagem do veículo e desgaste das pastilhas.
Para evitar o desgaste prematuro o condutor pode utilizar o freio motor. Esta ação também contribui para a economia de combustível.

Tipo de fluído inadequado

O funcionamento do sistema hidráulico depende essencialmente da qualidade e manutenção correta do nível do óleo lubrificante.
A manutenção e troca de fluído de transmissão só deve ser realizada com o produto recomendado pelo fabricante e em estabelecimentos especializados.

Câmbio automatizado?

De forma geral a principal diferença entre ambos está na forma como se troca a marcha. Enquanto o câmbio automático troca as marchas por meio de um sistema composto por engrenagens e acionadas pelo pé do motorista, o câmbio automatizado utiliza um sistema eletrônico para ser acionado.
Na prática, o câmbio automatizado ou robotizado é um câmbio manual com uma diferença: ele tem dois pequenos robôs ou atuadores. Quando há a necessidade de troca da marcha, detectada pela central eletrônica, o primeiro atuador aciona a embreagem e o segundo direciona o garfo de mudanças para engrenar as marchas.
Como ele não tem o conversor de torque, presente nas transmissões automáticas, é mais barato. Geralmente a metade do valor cobrado pelo câmbio automático.
Se por um lado o automatizado possui um custo menor tanto na compra quanto na manutenção, por outro a grande reclamação é a falta de suavidade e os trancos dados pelo carro.
Atualmente um dos câmbios automatizados mais conhecidos é o Dualogic da Fiat. que equipa a grande parte dos modelos da montadora italiana, a exemplo do Bravo, Idea, Palio, Linea, etc. A Volkswagen também implantou o seu câmbio automatizado iMotion em grande parte de sua frota, incluindo Gol e Voyage.

Curiosidades e o futuro

O Dodge Polara (da norte americana Chrysler) – o lendário Dodginho – foi o primeiro modelo de pequeno porte com câmbio automático de 4 velocidades a circular no Brasil, lançado pela BorgWarner, em 1978. O opcional era restrito aos modelos luxuosos da época.
Na década de 80, foram o Del Rey (Ford) e o Diplomata (Chevrolet) os responsáveis pela popularização do sistema de câmbio automático nas vias públicas brasileiras.
O Del Rey, propriamente dito, foi causador de revolução, sendo dotado de transmissão automática de 4 velocidades, pesando menos que o sistema manual e oferecendo maior durabilidade.
O câmbio semiautomático vem ganhando preferência em relação ao câmbio automático, principalmente em veículos de pequeno e médio porte. Isso se dá devido ao custo de fabricação mais barato, pela comodidade oferecida ao motorista de poder alternar entre o modo automático e manual e por diminuir o desgaste dos freios, já que quando o condutor pisa no freio o sistema desengata as engrenagens.
Por sua leveza e eficiência, os estudiosos do setor automobilístico prevem que, câmbio semiautomático deverá substituir rapidamente o câmbio automático convencional, muito em breve.

Fonte: Salão do Carro